domingo, 25 de setembro de 2016

A preguiça é virtude...



Aproveitando uma crónica de opinião no DN de António Barreto, com alguns excertos transcritos a seguir, não podia deixar de salientar o paralelismo, que senti durante a leitura do texto, com o que se passa na Educação.


Preguiça, lugar-comum, boçalidade, vulgaridade, falta de cultura e banalidade. O que se aplica às redações de jornais e televisões, segundo António Barreto, também se aplica aos anfiteatros das faculdades deste país.


Superficialidade, generalidades, trivialidade, facilitismo, ostentação, ausência de espírito de crítica e sacrifício. Tudo isto aliado a um cansaço quase permanente que os estudantes revelam, causador de lapsos de concentração frequentes. Esta é a realidade quotidiana das salas de aulas de Escolas e Faculdades em Portugal. Este é o cenário com que se deparam professores deste país, todos os dias.

Já começam a sair resultados de estudos que comprovam os malefícios e riscos da internet que correm os jovens adolescentes e adultos: gaming, gambling e outros vícios.

Por isso, caro António Barreto, a realidade das redações de jornais e televisões não é mais do que consequência do quotidiano do Ensino. Esses estagiários de jornalismo mais não fazem do que aplicar no seu trabalho os métodos e práticas com que sempre viveram.


TRANSCRIÇÃO DA CRÓNICA DE ANTÓNIO BARRETO, PUBLICADA NO DN (25.09.2016):


É simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão é pena capital. A banalidade reina. O lugar-comum impera. A linguagem é automática. A preguiça é virtude. O tosco é arte. A brutalidade passa por emoção. A vulgaridade é sinal de verdade. A boçalidade é prova do que é genuíno. A submissão ao poder e aos partidos é democracia. A falta de cultura e de inteligência é isenção profissional.


Os serviços de notícias de uma hora ou hora e meia, às vezes duas, quase únicos no mundo, são assim porque não se pode gastar dinheiro, não se quer ou não sabe trabalhar na redacção, porque não há quem estude nem quem pense. Os alinhamentos são idênticos de canal para canal. Quem marca a agenda dos noticiários são os partidos, os ministros e os treinadores de futebol. Quem estabelece os horários são as conferências de imprensa, as inaugurações, as visitas de ministros e os jogadores de futebol.


Os directos excitantes, sem matéria de excitação, são a jóia de qualquer serviço. Por tudo e nada, sai um directo. Figurão no aeroporto, comboio atrasado, treinador de futebol maldisposto, incêndio numa floresta, assassinato de criança e acidente com camião: sai um directo, com jornalista aprendiz a falar como se estivesse no meio da guerra civil, a fim de dar emoção e fazer humano.


Jornalistas em directo gaguejam palavreado sobre qualquer assunto: importante e humano é o directo, não editado, não pensado, não trabalhado, inculto, mal dito, mal soletrado, mal organizado, inútil, vago e vazio, mas sempre dito de um só fôlego para dar emoção! Repetem-se quilómetros de filme e horas de conversa tosca sobre incêndios de florestas e futebol. É o reino da preguiça e da estupidez.


É absoluto o desprezo por tudo quanto é estrangeiro, a não ser que haja muitos mortos e algum terrorismo pelo caminho. As questões políticas internacionais quase não existem ou são despejadas no fim. Outras, incluindo científicas e artísticas, são esquecidas. Quase não há comentadores isentos, ou especialistas competentes, mas há partidários fixos e políticos no activo, autarcas, deputados, o que for, incluindo políticos na reserva, políticos na espera e candidatos a qualquer coisa! Cultura? Será o ministro da dita. Ciência? Vai ser o secretário de Estado respectivo. Arte? Um director-geral chega.


Repetem-se as cenas pungentes, com lágrima de mãe, choro de criança, esgares de pai e tremores de voz de toda a gente. Não há respeito pela privacidade. Não há decoro nem pudor. Tudo em nome da informação em directo. Tudo supostamente por uma informação humanizada, quando o que se faz é puramente selvagem e predador. Assassinatos de familiares, raptos de crianças e mulheres, infanticídios, uxoricídios e outros homicídios ocupam horas de serviços.


A falta de critério profissional, inteligente e culto é proverbial. Qualquer tema importante, assunto de relevo ou notícia interessante pode ser interrompido por um treinador que fala, um jogador que chega, um futebolista que rosna ou um adepto que divaga.


Procuram-se presidentes e ministros nos corredores dos palácios, à entrada de tascas, à saída de reuniões e à porta de inaugurações. Dá-se a palavra passivamente a tudo quanto parece ter poder, ministro de preferência, responsável partidário a seguir. Os partidos fazem as notícias, quase as lêem e comentam-nas. Um pequeno partido de menos de 10% comanda canais e serviços de notícias.


A concepção do pluralismo é de uma total indigência: se uma notícia for comentada por cinco ou seis representantes dos partidos, há pluralismo! O mesmo pode repetir-se três ou quatro vezes no mesmo serviço de notícias! É o pluralismo dos papagaios no seu melhor!

domingo, 28 de agosto de 2016

Em defesa da ruralidade



A discussão "Campo ou cidade?" voltou à atualidade, num tempo em que a era digital e a internet colocam próximas pessoas que se encontram geograficamente afastadas. Na realidade, o aparecimento de profissões digitais tornou possível trabalhar a partir de casa, seja numa pequena fração de uma torre de uma grande metrópole ou numa pequena cabana rodeada de vegetação luxuriante, no mais isolado dos locais.

Tenho constatado nos últimos tempos que as grandes cidades estão "doentes". A procura de um habitat saudável passa, a meu ver, por um misto de urbanidade/ruralidade. O bem estar psicológico é possível se obtivermos das cidades o melhor que elas oferecem e da natureza a tranquilidade de que necessitamos. Como faço questão de fundamentar a defesa da ruralidade, pesquisei.


Stanley Milgram, psicólogo da Universidade de Yale, foi um dos primeiros a compreender as diferenças. A sua tese defendia que a maior diferença entre os dois âmbitos é o nível de estimulação. Assim, segundo Milgram, a cidade bombardeia-nos com uma torrente de mensagens sensitivas que ultrapassa a capacidade humana de processar informação. Ou seja, há demasiadas coisas e não podemos dar atenção a tudo. Por isso, colocamos em funcionamento um mecanismo de adaptação: ignorar tudo o que não seja relevante.

Na mesma linha vão os estudos de Stephen Kaplan, da Universidade do Michigan. A sua principal tese pode ser resumida numa frase: “O cérebro também se cansa.” As investigações conduzidas por Kaplan demonstram, por exemplo, o modo como a nossa memória ou a execução de tarefas melhoram depois de um passeio por um lugar tranquilo.

A hipótese em que trabalha é que os ambientes que causam mais stress (ruas com engarrafamentos, aglomerações...) obrigam a efetuar um esforço mental, ativado por estímulos fundamentais para a sobrevivência. Esse fluxo contínuo dificulta a atenção direta, isto é, aquela que podemos focar voluntariamente. Daí que o nosso cérebro repouse mesmo que seja apenas ao contemplar a fotografia de uma paisagem; e também, explica o psicólogo norte-americano, quando nos sentamos num parque ou caminhamos por uma rua só para peões. 


De qualquer modo, a influência negativa das paisagens construídas pelo homem no nosso estado de espírito é um facto constatável, como confirmou, em 1984, Roger Ulrich, da Universidade do Texas. O professor analisou a recuperação de um grupo de doentes submetidos à mesma intervenção cirúrgica: alguns podiam ver, pela janela do hospital, as árvores de um jardim, enquanto os restantes contemplavam uma parede de azulejos. Os relatórios médicos concluíram que os primeiros recuperavam muito antes, devido ao melhor estado anímico e ao seu otimismo.

Muitos outros estudos atribuíram o agravamento do nosso estado de saúde à influência das metrópoles modernas. Um dos mais recentes, conduzido em 2010 por Brendan Kelly, da Universidade de Dublin, estabelecia que o risco de sofrer de esquizofrenia aumenta quando alguém nasce ou vive longas temporadas em áreas urbanas, sobretudo se for do sexo masculino.

Atualmente, os especialistas procuram descobrir as causas para a inegável influência tóxica do betão. Alguns trazem à baila circunstâncias que seria importante minimizar, como a fragmentação social, o stress provocado pelo excesso de estímulos ou problemas de desenvolvimento neuronal. 


quarta-feira, 1 de julho de 2015

Sarajevo, uma guerra esquecida!

Em 1992, a Bósnia-Hernegovina era constituída essencialmente por três religiões principais: 46% de muçulmanos, 35% de ortodoxos sérvios e 15% de católicos. Assim conviveram entre 1945 e 1990, durante o período em que integrou a Republica Federal Solicialista Jugoslávia. Após a morte do Marechal Tito, o "ditador benevolente", em 1980, a paz entre as diversas etnias dos Balcãs ficou seriamente ameaçada.

Em 1990, tiveram lugar as primeiras eleições parlamentares multi-partidárias da Bósnia-Herzegovina. Seguiram-se dois anos de caos ná federação, devido à luta pela independência e á luta interna pelo poder parlamentar no novo país.

Em Abril de 1992, 800 tanques e canhões anti-aéreas, enviados por Slobodan Milosevic, o presidente da Sérvia, invadiram Sarajevo, a multi-cultural e cosmopolita capital Bósnia.

No dia 27 de maio de 1992, um fatídico míssil atingiu o mercado de Sarajevo, matando 57 civis, entre os quais mulheres e crianças, que ali faziam as compras do dia. "Reza por eles e não deixes de contar a toda a gente o que aconteceu em Sarajevo". Nos dias e meses seguintes, 50 mil mulheres foram violadas, 1300 mesquitas foram destruídas e mais de 200 mil Bósnios foram assassinados, naquele que é considerado o maior crime de guerra na Europa desde o fim da II Guerra Mundial.

Sarajevo foi sempre protagonista da História! Pelas suas ruas passaram todos os exércitos da Europa. Foi cobiçada por Roma e conquistada por Napoleão. Foi capital do Império Otomano. Mas... mesmo com as suas cicatrizes, continua sendo uma cidade cheia de vida!

Durante o genocídio Bósnio (e não há que ter medo em classificar assim o que aconteceu), às portas da União Europeia, das 4 milhões e setecentas mil pessoas que ali viviam, duzentas mil morreram e cerca de um milhão abandonou o país. Daí, não ser difícil encontrar Bósnios em 112 países distintos. Dos que ficaram, 70% são muçulmanos, 15% croatas e 15% sérvios.

A Guerra da Bósnia culmina com o massacre de Srebrenica, em julho de 1995. Durante os três anos que durou, queimaram-se as árvores de Sarajevo, primeiro, livros e fotografias, depois, para ajudar a enfrentar os -20ºC, sem eletricidade na cidade.

"O pior foi perder amigos...
O melhor? Era quando deixávamos de lado o ódio e muçulmanos e croatas nos juntavamos no meio da linha de fogo, a tomar café, fumar cigarros e recordar os bons velhos tempos...
Uma hora depois ali estávamos, nas respetivas posições, a matar-nos uns aos outros...".

"Don't let them kill us!" foi a faixa que as candidatas a Miss Sarajevo exibiram durante o concurso que teve lugar em 1993, no meio dos bombardeamentos da cidade de Sarajevo.

Foram estas as palavras que inspiraram Bono, Brian Eno e Pavarotti a compor e interpretar este hino à paz, intitulado precisamente "Miss Sarajevo" e cuja primeira actuação ocorreu em Módena, no dia 12 de setembro de 1995.

Foi um genocídio na Europa, de que me recordo bem. 
Esse concerto foi há 20 anos. 
Para que não se esqueça...

 


sexta-feira, 5 de junho de 2015

Desconectar para conectar

Esta é a luta que irei continuar a travar junto das gerações mais novas, mesmo arriscando o rótulo de "retrógado":

- "Levanta os olhos, desliga o teu dispositivo e liga-te ao mundo..."


 
 
 

Ligado a Máquinas



Um dia, a minha mãe e eu conversávamos sobre a vida e a morte, e eu disse-lhe:

- Mãe, se um dia eu estiver num estado vegetativo, em que a minha vida dependa unicamente de aparelhos, desligue-os por favor.


- Com essas máquinas que me mantêm artificialmente com vida! EU PREFIRO MORRER !!!

Então vi a minha mãe a levantar-se, olhando-me cheia de admiração ... E puxando decididamente os fios, ela desligou:

a tv,

o dvd,

o cabo de internet,

o computador,

o MP3/4,

o playstation,

o wifi,

o fixo ...

E ainda me arrancou das mãos:

o telemóvel,

o tablet

o Ipod,

. . . QUASE ÍA MORRENDO, PUXA !!!"

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Diferenças Anos 60 - Anos 2000



Situação: O fim das férias.
Anos 1960:Depois de passar 15 dias com a família atrelada numa caravana puxada por um Fiat 600 pela costa de Portugal, ou passar esses 15 dias na praia do Castelo do Queijo, terminam as férias. No dia seguinte vai-se trabalhar e os miúdos para as aulas.

Anos 2000: Depois de voltar de Cancún de uma viagem com tudo pago, terminam as férias. As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão, seborreia e caganeira.

Situação: Chega o dia de mudança de horário de Verão para Inverno.
Anos 1960:
Não se passa nada.

Anos 2000:
As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão e caganeira.

Situação: O Pedro está a pensar ir até à mata depois das aulas, Assim que entra no colégio mostra uma navalha ao João, com a qual espera poder cortar uns ramos e fazer uma fisga.
Anos 1960: O professor vê, pergunta-lhe onde se vendem daquelas navalhas, e mostra-lhe a sua, que é mais antiga, mas que também é boa.

Anos 2000: A escola é encerrada, chamam a Polícia Judiciária e levam o Pedro para um reformatório. A SIC e a TVI apresentam os telejornais desde a porta da escola.

Situação: O Carlos e o Quim trocam uns socos no fim das aulas.
Anos 1960:
Os companheiros animam a luta, puxam por eles, e o Carlos ganha. Apertam as mãos e acabam por ir juntos jogar matrecos.

Anos 2000: A escola é encerrada. A SIC proclama o mês anti-violência escolar. O Jornal de Notícias faz uma capa inteira dedicada ao tema, e a TVI insiste em colocar uma equipe de reportagem à porta da escola a apresentar o telejornal, mesmo debaixo de chuva.

Situação: O Jaime não pára quieto nas aulas, interrompe e incomoda os colegas.
Anos 1960:
Mandam o Jaime falar com o Director, e este dá-lhe uma bronca de todo o tamanho. O Jaime volta à aula, senta-se em silêncio e não interrompe mais.

Anos 2000:
Administram ao Jaime umas valentes doses de Ritalin. O Jaime parece um zombie. A escola recebe um apoio financeiro por terem um aluno incapacitado.

Situação: O Luis parte o vidro dum carro do bairro dele. O pai caça um cinto e espeta-lhe umas chicotadas com este.
Anos 1960: O Luis tem mais cuidado da próxima vez. Cresce normalmente, vai à universidade e converte-se num homem de negócios bem-sucedido.

Anos 2000: Prendem o pai do Luís por maus-tratos a menores. Sem a figura paterna, o Luís junta-se a um gang de rua. Os psicólogos convencem a sua irmã que o pai abusava dela e metem-no na cadeia para sempre. A mãe do Luís começa a namorar com o psicólogo. O programa da Fátima Lopes mantém durante meses o caso em estudo, bem como o Você na TV do Manuel Luís Goucha.

Situação: O Zezinho cai enquanto praticava atletismo, arranha um joelho. A professora encontra-o sentado na berma da pista a chorar e abraça-o para o consolar.

Anos 1960: Passado pouco tempo, o Zezinho sente-se melhor e continua a correr.

Anos 2000:
A professora é acusada de perversão de menores e vai para o desemprego. Confronta-se com 3 anos de prisão. O Zezinho passa 5 anos de terapia em terapia. Os seus pais processam a escola por negligência e a professora por trauma emocional, ganhando ambos os processos.
A professora, no desemprego e cheia de dívidas, suicida-se atirando-se de um prédio. Ao aterrar, cai em cima de um carro, mas antes ainda parte com o corpo uma varanda. O dono do carro e do apartamento processam os familiares da professora por destruição de propriedade. Ganham. A SIC e a TVI produzem um filme baseado neste caso.

Situação: Um menino branco e um menino negro andam à batatada por um ter chamado 'chocolate' ao outro.
Anos 1960: Depois de uns socos de parte a parte, levantam-se e vai cada um para sua casa. Amanhã são amigos.

Anos 2000:
A TVI envia os seus melhores correspondentes. A SIC prepara uma grande reportagem dessas com investigadores que passaram dias no colégio a averiguar factos. Emitem-se programas documentários sobre jovens problemáticos e ódio racial. A juventude skinhead finge revoltar-se a respeito disto. O governo oferece um apartamento à família do miúdo negro.

Situação: Fazias uma asneira na sala de aula.
Anos 1960:O professor espetava-te duas valentes lambadas bem merecidas. Ao chegar a casa o teu pai dava-te mais duas porque 'alguma deves ter feito'

Anos 2000: Fazes uma asneira. O professor pede-te desculpa. O teu pai pede-te desculpa e compra-te uma Playstation 3.

sábado, 18 de abril de 2015

Djokovic vence Prémio Laureus

 
 
Aos 27 anos, Djokovic recebeu na gala realizada em Xangai a segunda estatueta do Laureus, que já tinha conquistado em 2012, superando, entre outros, o futebolista internacional português Cristiano Ronaldo.

O britânico Lewis Hamilton, campeão mundial Fórmula 1, o francês Renaud Lavillenie, campeão olímpico de salto com vara e que bateu o recorde do mundo de Sergei Bubka, o espanhol Marc Márquez, campeão mundial de MotoGP, e o britânico Rory McIlroy, líder do 'ranking' mundial de golfe, foram outros derrotados por Djokovic.

Além de ter vencido pela segunda vez o "Grand Slam" de Wimbledon, batendo na final o suíço Roger Federer - recordista de vitórias do prémio Laureus, com quatro distinções -, o sérvio atingiu também a final de Roland Garros, terminando o ano com sete títulos conquistados.

O número um do ténis mundial, que não se deslocou a Xangai, agradeceu por lhe ter sido atribuído, «sem dúvida, o mais prestigiado prémio do desporto», através de uma mensagem vídeo que foi transmitida durante a gala.

Com dois Laureus conquistados, Djokovic igualou o norte-americano Tiger Woods, um dos melhores golfistas de sempre, e o alemão Michael Schumacher, heptacampeão mundial de F1, sendo apenas superado por Federer e pelo atleta jamaicano Usain Bolt, que foi distinguido por três vezes.
 
Tal significa que o Ténis é o desporto posicionado em primeiro lugar no que a este galardão diz respeito. E Novak Djokovic, com todos os seus defeitos e virtudes, já se encontra no pódio do desporto mundial. Parabéns Djoko! 


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Alemanha rejeita pagar dívidas da II Guerra Mundial exigidas pela Grécia


 
Um dos temas na ordem do dia é a posição do recém eleito Governo da Grécia em reestruturar a dívida grega, por negociação com a União Europeia.
 
Já sabemos que a fraca comunicação social que temos que suportar em Portugal, dominada (censurada) pelos grandes grupos económicos, esses "donos disto tudo", carrega sempre na mesma tecla.
 
Felizmente que hoje temos acesso à imprensa estrangeira, de onde se conseguem extrair notícias interessantes, que nos dão que pensar. Uma delas dizia respeito ao facto da Alemanha rejeitar pagar dívidas da II Guerra Mundial, exigidas pela Grécia. O Governo de Tsipras exige uma compensação pela invasão da Grécia por parte do regime nazi, incluindo o reembolso de um empréstimo que Atenas foi forçada a fazer em 1942 à Alemanha. A quantia exigida pelo Governo grego poderia ascender aos 162 mil milhões de euros, cerca de metade da dívida dos país.
 
Ao que parece, os governantes alemães consideram que a "questão da compensação da injustiça nazi foi já resolvida". O Ministro da Economia alemão chegou mesmo a afirmar que "a probabilidade da Alemanha pagar as indemnizações de guerra à Grécia é nula", alegando que esta questão ficou resolvida em tratados assinados há 25 anos.
 
Esta atitude dos governantes alemães, que têm sido acusados de exercer "bullying" perante os elos mais fracos desta moeda única, onde evidentemente se inclui Portugal, ou é agora derrotada com a determinação de Tsipras, ou sairá vencedora para sempre. E a vitória da austeridade será a derrota dos cidadãos europeus.
 


 

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Não vale tudo, Djoko!

Novak Djokovic é o melhor tenista da atualidade. É o número 1 mundial há já algum tempo, posição por todos invejada e que tem mantido com alguma regularidade nos últimos anos.
 
É, a meu ver, o tenista mais equilibrado que já vi jogar. Excelente primeiro serviço, excelente segundo serviço, excelente direita e a melhor esquerda a duas mãos do circuito. Novak não tem pontos fracos, nem sequer médios. Tudo nele é equilíbrio, baseado nos excelentes apoios e jogo de pés. Resumindo, a melhor movimentação dentro do court e a mente mais forte fora dele.
 
Tudo isto basta (e tem bastado, na verdade) para vencer tudo e todos. Se num dia normal, Djoko distribui "bicicletas" a colegas do top 20, quando num dia excecional são os top 10 a encaixá-lo. Que o diga o virtuoso Stanislas Wawrinka, que encaixou dois 6-0 nos dois últimos duelos com Djoko.
 
No entanto, e apesar de todas estas qualidades, e a liderança incontestada do ranking, o sérvio não consegue granjear grande popularidade. Se é certo que também não tem de sofrer ódios de estimação por parte dos adeptos, ao contrário de outros, é um jogador longe de arrastar multidões ou de ser alvo de paixões.

E, se calhar, nesta final do Australian Open 2015 encontrámos a explicação para tal. Como referi anteriormente, Djokovic tinha ténis suficiente para derrotar o seu amigo Andy Murray, nem que para isso fosse necessário disputar 5 sets. Era isso que o público queria ver, depois do escocês ter vencido o tie-break do segundo set. 1-1 no marcador, num encontro extremamente equilibrado e com um final de segundo set repleto de grandes rallies, à semelhança do que já tinhamos assistido em finais deste torneio (quem não se recorda da épica final de 2012 entre Djokovic e Nadal, que demorou praticamente 6 horas?!). Notava-se um ligeiro ascendente de Murray à entrada para o terceiro set. Eis senão quando começa o triste espetáculo do sérvio. Coxeia daqui, diz que não com a cabeça, debruça-se para ali, destata a fazer alongamentos, tudo isto em pleno court. Murray lidera 2-0, depois de Djoko desistir de disputar alguns pontos, como a dizer que está em inferioridade física, quase sem condições de continuar a jogar esta final. Murray tem ponto, no seu serviço, para ficar com 3-0 na terceira partida e já muitos viam o escocês a erguer o troféu. Mas Murray jogava desconcentrado, pelo triste espetáculo que o seu amigo ia dando. E Novak conseguiu alcançar o seu objetivo: desconcentrar Murray, que a partir daí nunca mais foi o mesmo. Erros não forçados, a direita que não entrava, os ases que desapareceram. Não mais sucederam aqueles espetaculares rallies do segundo set e em pouco mais de 1 hora concluiu-se uma final de um Grand-Slam que não ficará para a história. Diga-se, só por curiosidade, que a segunda partida teve a duração de 80 minutos, mais 13 minutos do que a terceira e quarta juntas. Para a história, ficam os parciais de 7-6, 6-7, 6-3 e 6-0.
 
Não me recordo, e já levo alguns anos de finais de Grand-Slams, de um fim de encontro tão pouco emotivo, concluído com um 6-0 em 28 minutos.
 
Novak conquistou o seu quinto título em Melbourne e continuará a ser número 1 do ranking ATP. Mas não se livrou de alguns apupos e assobios e até de uma saudação final muito fria do seu amigo escocês. E é provável que nos próximos Grand-Slams os admiradores do fair-play não lhe perdoem a sua atitude nesta final. Porque, no ténis, não vale tudo Djoko!

sábado, 31 de janeiro de 2015

Outra vez, Serena !

 
 
De um lado do court a número 1 do ranking mundial, Serena Williams, do outro a número 2, Maria Sharapova. Tudo a postos para mais uma grande final, que acabaria por ser. Seria desta vez que a tenista russa, que já tinha salvo 6 match-points na segunda ronda deste Australian Open, conseguiria impor-se à americana? Uma ténue esperança que tal viesse a acontecer, muito ténue para aqueles que assistiram aos anteriores confrontos entre as duas.

Pois nem a gripe que afectou Serena, nem a segunda vida de Maria neste torneio, impediram que acontecesse o mesmo de sempre. Superioridade mental, física e tenística de Serena, que deslizava no court tal qual uma gazela, rugindo aqui e ali como uma leoa. A siberiana jogou ao seu melhor nível. Mas o melhor nível de Sharapova não chega para sequer incomodar aquela que é de longe a melhor jogadora da atualidade, e por muitos considerada a melhor de sempre.

No décimo nono confronto entre as duas jogadoras, voltou a ganhar a mesma de sempre. A número 1 da WTA, quando se encontra fisicamente bem, está anos luz diante das suas concorrentes, incluindo a número 2 mundial. Por isso, encaixou a décima sexta vitória nos dezanove duelos diretos.

Munida do melhor serviço do circuito feminino, melhor do que muitos jogadores masculinos, a mais nova das irmãs Williams vence assim o seu décimo-nono título de Grand-Slam, ultrapassando duas legendas do ténis como Martina Navratilova e Chris Evert. O record da Era Open está nas mãos de Steffi Graff, com 22. O record de sempre detém-no uma australiana, Margaret Court, com 24, graças a ter-se coroado 11 vezes em Melbourne. Outros tempos, a fazer pensar quantos teria Serena se jogasse numa época em que quase não havia competição.

A jogadora americana, com 33 anos e 127 dias, é a campeã mais veterana deste torneio da Era Open, que começou em 1968. É também a segunda mais velha a vencer um Grand-Slam, só ultrapassada por Martina Navratilova, que se impôs na erva de Wimbledon com 33 anos e 263 dias.